Palavras ao vento

Esta curta metragem evoca os poderes do texto e imagem em simbiose poética. Nenhum elemento quer ter demasiado protagonismo na conjuntura. Por vezes é a palavra que mostra, outras vezes é a imagem que fala. 

O protagonismo da textura sonora emerge pela forma como aqui se representa o vento, sempre presente, desordenado, sem emoções, quase incómodo, hipnótico. O processo formal de construção do filme começou e terminou no “mood board”, tirando partido da primeira imagem que cada verso sugeria. 

“Palavras ao Vento” usa livremente fragmentos de poemas de Sophia de Mello Breyner Andresen, criando espaço para outros sentidos que as palavras e imagens desvendam quando combinadas. Aqui, o dia começa e acaba. E tudo recomeça, como um sonho acordado.

Os versos de Sophia de Mello Breyner Andresen surgem numa sequência diferente daquela que a autora idealizou nos seus escritos originais. É assim que a voz de uma criança, protagonizado por Lucas Neves Seco, ecoa fragmentos de “Nocturno”; “Dai-me”; “Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio”; “Lei”; “Através de países e paisagens”; “Meio-dia”; “Raiz da paisagem”; “Bebido o luar”; e “A hora da partida” – textos com a sua enorme densidade poética, despidos de pretensiosimos, quando ditos por uma criança. 

Este filme foi realizado por Miguel Chichorro, interpretado por Lucas Neves Seco, com produção de Sónia Duarte Lopes, imagens aéreas de Marco Lopes e consultoria de Margarida Barros.

Palavras ao Vento (2021)